Acordo trabalhista: o que pode ser negociado e o que é irrenunciável
Nem tudo pode ser negociado num acordo trabalhista. Entenda quais direitos são irrenunciáveis, como funciona o acordo extrajudicial e quando vale aceitar uma proposta da empresa.
Receber uma proposta de acordo da empresa é uma situação que exige atenção. Alguns direitos podem ser negociados legalmente; outros são irrenunciáveis — e assinar um acordo que abre mão deles pode ser inválido ou prejudicial. Entender a diferença é fundamental antes de assinar qualquer coisa.
O que a lei permite negociar
A Reforma Trabalhista de 2017 ampliou os espaços para negociação, mas dentro de limites claros. O que pode ser negociado:
Por negociação coletiva (com sindicato):
- Redução de salário com redução de jornada
- Banco de horas
- Intervalo intrajornada (desde que não inferior a 30 minutos)
- Plano de cargos e salários
- Participação nos lucros
Por acordo individual entre empregado e empregador:
- Horário de trabalho (dentro dos limites legais)
- Férias parceladas em até 3 períodos
- Home office e modalidade de trabalho
- Acordo de rescisão mútua (Art. 484-A)
O que não pode ser negociado
Alguns direitos são considerados de ordem pública e não podem ser afastados nem por acordo, nem por convenção coletiva:
- Salário mínimo
- 13º salário
- Férias com 1/3
- FGTS
- Aviso prévio
- Normas de segurança e saúde no trabalho
- Licença-maternidade de 120 dias
- Proteção contra discriminação
Qualquer acordo que elimine ou reduza esses direitos é nulo — mesmo que o trabalhador tenha assinado.
Acordo de rescisão mútua (Art. 484-A da CLT)
Criado pela Reforma Trabalhista, o acordo de rescisão mútua é uma alternativa intermediária entre a demissão sem justa causa e o pedido de demissão. Nele:
- O aviso prévio é reduzido à metade
- A multa do FGTS é de 20% (não 40%)
- O trabalhador pode sacar 80% do saldo do FGTS
- Não tem direito ao seguro-desemprego
É uma opção quando ambas as partes querem encerrar o contrato, mas o trabalhador precisa acessar o FGTS.
Acordo extrajudicial homologado pela Justiça
Desde 2017, empregado e empregador podem levar um acordo à Vara do Trabalho para homologação, mesmo sem processo em andamento. O juiz verifica se os termos são legais — e, se aprovados, o acordo tem validade definitiva.
Esse mecanismo é útil quando há pendências reais e as duas partes querem resolver sem litigar, mas querem segurança jurídica.
Quando vale aceitar uma proposta de acordo
Alguns fatores que pesam na decisão:
- Valor oferecido — cobre os direitos devidos? Há desconto expressivo?
- Prazo — você ainda está no prazo de 2 anos para ajuizar ação?
- Prova disponível — é possível comprovar os direitos que está cobrando?
- Tempo e desgaste — um acordo rápido pode valer mais do que um processo longo
A avaliação correta de uma proposta de acordo exige conhecer o valor real dos direitos envolvidos — o que só é possível com análise jurídica.
Recebeu uma proposta de acordo da empresa e quer saber se vale aceitar? Converse com a advogada antes de assinar qualquer documento.
Tem dúvidas sobre sua situação?
Cada caso tem suas especificidades. Conversar diretamente é a melhor forma de entender o que se aplica à sua situação.
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