Intervalo de almoço não concedido: você tem direito a receber
Se você trabalha mais de 6 horas por dia e não tem intervalo de almoço, ou ele é reduzido, a empresa pode dever horas a você. Entenda as regras e como cobrar.
Almoçar em 15 minutos, trabalhar no horário do intervalo ou nem ter pausa para comer é mais comum do que deveria. O que muitos trabalhadores não sabem é que o intervalo de almoço é um direito trabalhista — e quando não é concedido corretamente, gera pagamento adicional.
O que diz a CLT sobre o intervalo
O Art. 71 da CLT estabelece:
- Jornada superior a 6 horas: intervalo mínimo de 1 hora, máximo de 2 horas
- Jornada entre 4 e 6 horas: intervalo de 15 minutos
- Jornada até 4 horas: sem obrigação de intervalo
O intervalo não é hora de trabalho — não é remunerado e não conta na jornada. Mas precisa ser concedido.
O que acontece quando o intervalo não é respeitado
Antes da Reforma Trabalhista de 2017, o não cumprimento do intervalo gerava pagamento de 1 hora extra sobre todo o período (mesmo que o intervalo fosse reduzido por apenas 10 minutos).
Após a reforma, a regra mudou: a empresa paga apenas o tempo suprimido, com adicional de 50%. Mas há uma pegadinha: se a redução do intervalo não estiver prevista em convenção coletiva com o sindicato, a regra antiga pode continuar valendo — e a jurisprudência ainda discute o tema.
Exemplo prático: Jornada das 8h às 18h, com intervalo de 30 minutos (deveria ser de 1 hora). Foram suprimidos 30 minutos. O trabalhador recebe esses 30 minutos com adicional de 50% por dia.
Quando a empresa pode reduzir o intervalo
A Reforma Trabalhista permite reduzir o intervalo para no mínimo 30 minutos, mas apenas mediante convenção ou acordo coletivo. Redução unilateral, sem previsão na norma coletiva, é irregular.
Como provar que o intervalo não foi concedido
- Registros de ponto que mostrem saída e retorno em menos de 1 hora
- Testemunhos de colegas
- Mensagens ou e-mails enviados durante o horário de almoço
- Câmeras do local de trabalho
Quanto tempo pode ser cobrado
O prazo é de 2 anos após o fim do contrato, com direito a cobrar os últimos 5 anos do vínculo. Para quem ainda está empregado, o prazo corre a cada violação — não espere o desligamento para agir.
Nunca teve intervalo de almoço adequado ou sempre comeu em 15 minutos? Converse com a advogada para avaliar o que pode ser cobrado.
Tem dúvidas sobre sua situação?
Cada caso tem suas especificidades. Conversar diretamente é a melhor forma de entender o que se aplica à sua situação.
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